• Postado por Guilherme 30 Nov

Terror, Terrir, e a Natureza fora e dentro de nós

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Depois de muito ensaio, fui ver ontem o Anticristo do Von Trier. Não dá pra não deixar de ver, por ser Von Trier, mas o filme é menor. Não é bom não.

Salve Ivan Cardoso, tem momentos que o cracão-esquisitão dinamarquês nos faz rir, ao tentar nos assustar. Mas 4 pessoas (de 10 da sessão) saíram no meio.

O filme é todo sublinhado, não funciona tão bem com as externas que tenta aproveitar. Temos todo um lance dos elementos naturais, e animais que cercam a casa deles, que acaba sendo esquemático, e maneirista.

Mas o Willem Dafoe e a Gainsbourg são bacanéssimos mesmo. É daqueles filmes que você vai pra ver a Charlotte Gainsbourg pelada (a cena de uma masturbação dela sobre uma árvore é punk), mas sai mesmo invejoso da bunda malhada do Dafoe. A Elizabeth Lecompte, diretora do grupo de teatro Wooster de NY, e mulher dele, deve botar o bichinho pra ralar lá no espaço deles, o Performing Garage.

Nada muito sobre os personagens, que são desumanizados (mesmo). O papel da mulher é aquele ótimo, da louca que sabe ser cínica. (E, pra tragédia do personagem do filme, ela se perde e se destrói.)

E, sempre, vingança: tem uma ótima frase no filme, “a crying woman is a scheming woman.” (Mais ou menos, “a mulher que chora, é a mulher que trama.”)

Mas no final duma pancandaria familiar de dar inveja ao Wagner Montes, é ela que morre; estrangulada. Numa cena impressionante mesmo, que nos faz lembrar que ela ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes esse ano.

Mas não é que o filme passa rápido? Ponto a favor.

E o melhor de tudo é chegar em casa e sentir que talvez tão bom quanto teria sido ficar quietinho vendo um DVD da comedia HOW TO LOSE FRIENDS AND ALIENATE PEOPLE, com Jeff Bridges e Kirstin Scott Thomas. Esse título já é vale por uma sessão de psicanálise. (Talvez a que o “Anticristo” não conseguiu impor.) High and Low, here we go.

Postado por

Guilherme

Data

30/Nov/-0001